Quinta-feira, Abril 20, 2006

monólogo dum feto


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http://activestresss.blogs.sapo.pt/ dedico com muito carinho, este texto a uma pessoa, que eu andava a seguir o blog, mãe da Mónica. Que no dia do parto perdeu a bebé, que era aguardada com tanto carinho há 9 meses.

Quero dizer-lhe, que no Domingo de Pascoa, cerca da hora do almoço, fui passear ao cemitério (estranho local para se passear), mas apeteceu-me e a familia não se importou. Depois de ter estado um tempo na campa do meu filho, perguntei ao vigilante da entrada onde era o local dos bebés, nunca tinha lá ido...pelo que li no blog dela...la estava a Monica, com o nome bordado ao fundo, com pedrinhas brancas, os corações de vidro, a boneca presa ao numero de identificação (789).
Sentei-me ali um tempo, emocionada a pensar que aquele anjinho, estaria num patamar superior, na Eternidade...teria que ser assim...pela sua pureza !
Pedi-lhe muito para encontrar o meu filho, para o puxar para ela, uma vez que ele morreu sem realizar esse desejo,o de ser pai, deixando escrito que era o que mais desejava na vida...não quero tornar este desabafo muito pesado...tenho vindo a alterar a descrição das minhas emoções, pela razão que muitos sabem...por isso termino
aqui, deixando um grande abraço à  mãe da Mónica.

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Diário de Uma Criança Por Nascer

5 DE OUTUBRO: Hoje começou minha vida. Meus pais ainda não sabem disso, mas já existo. E vou ser menina. Terei cabelos louros e olhos azuis. Quase tudo já está fixado, até mesmo que irei gostar muito de flores.
19 DE OUTUBRO: Alguns afirmam que não sou ainda uma pessoa real, que apenas minha mãe existe. Mas sou uma pessoa real, assim como uma migalhinha de pão ainda é realmente pão. Minha mãe é. E eu também sou.
23 DE OUTUBRO: Minha boca está começando agora a se abrir. Imagine só dentro de cerca de um ano estarei sorrindo e, depois, falando. Sei qual será minha primeira palavra: MAMÃ.
25 DE OUTUBRO: Meu coração começou hoje a bater por si mesmo. De agora em diante, baterá suavemente pelo resto de minha vida, sem jamais parar para descansar! E, depois de muitos anos, ele se cansará. Parará, e então morrerei.
2 DE NOVEMBRO: Estou crescendo um pouco cada dia. Meus braços e minhas pernas começam a tomar forma. Mas tenho de esperar ainda bastante tempo antes de estas perninhas me erguerem até os braços da mamãe, antes que estes bracinhos possam colher flores e abraçar o papai.
12 DE NOVEMBRO: Pequeninos dedos começam a formar-se em minhas mãos. É engraçado como são pequenininhos! Poderei tocar com eles nos cabelos de mamãe.
20 DE NOVEMBRO: Foi somente hoje que o médico contou à mamãe que estou vivendo aqui, sob o coração dela. Oh, quão feliz ela deve estar! Sente-se feliz, mamãe?
25 DE NOVEMBRO: Mamãe e papai devem estar provavelmente pensando num nome para mim. Mas eles nem sequer sabem que sou uma menininha. Desejo que me chamem de Mariazinha. Já estou ficando tão grandinha!
10 DE DEZEMBRO: Meus cabelos estão crescendo. São macios, claros e brilhantes. Fico imaginando que tipo de cabelos mamãe tem.
13 DE DEZEMBRO: Estou quase prestes a poder ver. Tudo é escuro em volta de mim. Quando mamãe me trouxer ao mundo, ele será cheio de sol e de flores. Mas o que mais desejo é ver minha mamãe. Qual á sua aparência, mãezinha?
24 DE DEZEMBRO: Fico imaginando se mamãe ouve o sussurro do meu coração. Algumas crianças chegam ao mundo um pouco doentes. Mas meu coração é forte e saudável. Ele bate tão ritmicamente: toc-toc, toc-toc. A senhora terá uma filhinha saudável, mãezinha!

28 DE DEZEMBRO:
Hoje minha mãe me matou.

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http://pexeseco.blogspot.com/ Este texto a meu pedido, foi cedido pelo blog mencionado.

Sem querer entrar em polemicas sobre o tema do aborto, publico-o pela seriedade e porque me tocou profundamente. Obrigada pexeseco, pela tua gentileza-